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Envelhecimento - Eles tem mais de 90 anos.
Na foto acima Antonio Antunes Fonseca, 94, reúne títulos internacionais desde que se aposentou, aos 60.
Por: Rodolfo Lucena (51 anos, é editor de Informática da Folha , ultramaratonista e autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record)).
Ele foi o 14.318º colocado na última São Silvestre. Mas talvez tenha sido seu maior campeão. Com 94 anos, Antonio Antunes Fonseca levou 2h46min48s para percorrer os 15 quilômetros da prova, conquistando mais um feito em uma carreira esportiva que começou aos 60, depois da aposentadoria, e reúne vários títulos internacionais de veterano.
Como ele, o também paulista Frederico Fischer, 92, coleciona marcas únicas no atletismo internacional -é o recordista mundial nos 100 m e nos 200 m, na sua faixa etária. Os dois participaram do último campeonato mundial de veteranos, na Itália, em 2007, e fizeram um verdadeiro estrago na competição, trazendo de volta montes de medalhas de ouro, prata e bronze -no total, a dupla conquistou dez medalhas.
Foi uma entre as tantas competições nacionais e internacionais de veteranos em que Fonseca e Fischer despontaram. O veterano da São Silvestre relembra com carinho, por exemplo, o Mundial de Veteranos realizado em Miyazaki, Japão, em 1993, quando ele trouxe para o Brasil o ouro na marcha atlética. Já Fischer é o dono das melhores marcas do mundo em 2008 em competições tão diversas quanto as corridas de 100 m e 200 m e os arremessos de peso e martelo.
Rumos diferentes
Mas, se hoje enfrentam desafios semelhantes nas pistas, a trajetória dos dois ao longo de décadas foi em quase tudo diferente. Fonseca passou a vida ao largo do esporte competitivo, dedicando-se apenas, com vigor, ao futebolzinho de fim de semana; Fischer disputou campeonatos de atletismo na juventude e, depois de um interregno, na meia-idade voltou às competições de pista.
Nascido na roça, em Campo Largo de Sorocaba, hoje Araçoiaba da Serra, Fonseca disputava carreira com os vizinhos quando menino. "Nós corríamos em raia de corrida de cavalo", lembra ele, durante a entrevista no sobrado em que mora, em Sorocaba, e que também abriga a academia de dança da filha mais velha.
Outras brincadeiras se pareciam com os esportes que hoje pratica: a gurizada forcejava para ver quem atirava mais longe uma pedra, um pau...
Ele só se reencontraria com o atletismo dezenas de anos mais tarde, depois de criar família e trabalhar muito. "Comecei na lavoura e na enxada. Depois, passei a comprar cereais dos caipiras e a vender em Araçoiaba. Depois, tive uma criação de suíno..." Foi também delegado de polícia, vereador e prefeito em Araçoiaba; em Sorocaba, para onde se mudou com a família, foi motorista de caminhão, feirante, corretor de imóveis e vereador. Do esporte, só não largou o futebol.
"Mas eu só tinha corrida, não era muito bom de bola. Eu corria e centrava. Então me diziam: "Você tem de entrar no atletismo, a corrida vossa é demais". E me indicaram a Associação Atlética de Veteranos, para treinar e participar. Eu estava já com 60 anos e fui lá. Comecei a arremessar peso, disco, comecei a me destacar".
Já Frederico Fischer se dedicou a correr, lançar e arremessar desde a juventude. Passou, primeiro, por uma fase náutica, velejando com o irmão mais velho na represa de Santo Amaro. Mas o irmão casou, a mulher virou sua proeira, e Fischer tratou de buscar outros rumos.
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