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Nascidos para Correr.
Por: Renata Cabral e Rodrigo Cardoso.
Sabe aquele dia em que você dormiu pouco, virou e revirou na cama, acordou de mau humor, olhou-se no espelho insatisfeito com a silhueta rechonchuda, brigou com um colega de trabalho e voltou para casa exausto, achando que o melhor a fazer é sair correndo por aí para fugir de tudo isso? Pois bem, siga seu instinto: corra.
Corra, porque é exatamente isso que quatro milhões de brasileiros estão fazendo atualmente. Corra, não para fugir dos problemas, mas para enfrentá-los, para emagrecer, melhorar o humor, ganhar fôlego, retardar o envelhecimento, dormir bem e ter mais ânimo. Corra, como fez a arquiteta paulista Isabella Leonetti, 37 anos. Há nove meses, após fazer exames médicos obrigatórios para quem vai se iniciar no esporte, ela mal vencia 100 metros.
"Tive câncer na tireóide há quatro anos e havia perdido o pique", diz. Hoje, Isabella tem pique para uma hora diária de corrida, quatro vezes por semana.
No final de 2008, antes de completar seu primeiro aniversário como atleta amadora, passou fácil pelos cinco quilômetros do Circuito Vênus, uma das 600 provas anuais que, especialmente nos finais de semana, tiram os carros das ruas das cidades para que nelas desfilem os atletas. "Agora durmo melhor, a autoestima mudou, emagreci cinco quilos e me sinto menos cansada", resume Isabella.
Em menos de quatro anos, o Brasil dobrou o número de corredores amadores.
Em 2005, segundo o Atlas do Esporte, uma base de dados do Conselho Federal de Educação Física, havia dois milhões de brasileiros praticando a corrida. "Existe hoje uma consciência nacional da importância da prática esportiva para buscar uma melhor qualidade de vida", diz Martinho Nobre dos Santos, da Confederação Brasileira de Atletismo.
"É isso que tem feito o brasileiro correr mais." Esse fenômeno, percebido principalmente nas grandes áreas verdes das metrópoles, mostrou sua grandiosidade graças à pesquisa feita em dezembro passado, no Rio de Janeiro e em São Paulo, pela empresa Sports Track. Numa consulta com quatro mil atletas, ela revelou que a corrida é o segundo esporte mais popular nestas cidades, atrás apenas do futebol.
Esta explosão tem a ver com a preocupação por um estilo de vida mais saudável, mas também com a crescente profissionalização do esporte. Os atletas contam hoje com as assessorias esportivas, empresas especializadas em organizar o treinamento. Em média, o praticante paga a elas de R$ 150 a R$ 250 por mês. E uma sucessão de circuitos que reúnem milhares de pessoas a cada prova. Uma das maiores organizadoras de circuitos de corrida do País, a Iguana Sports, começou a funcionar há três anos com quatro eventos. Neles, reuniu dez mil pessoas. Para este ano, estão planejados 50, com a expectativa de participação de 180 mil a 200 mil atletas. "É uma área em expansão", diz Paulo Carelli, diretor da empresa. "As pessoas estão buscando bem-estar para suas vidas", acredita. Segundo a Federação Paulista de Atletismo, em 2004 foram 107 provas de corrida de rua no Estado, com a participação de 146 mil atletas. Em 2008, os números cresceram para 220 circuitos e cerca de 370 mil atletas.
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