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Por: Rafael Krieger
Quando torcedores de Corinthians, São Paulo e Palmeiras se encontram, sobram provocações. Não é tão diferente quando os corredores que treinam nesses clubes se esbarram em uma prova de rua. Mas, em vez do resultado da rodada, o assunto dos atletas que vestem a camisa de seus times para correr passa longe do futebol. Eles querem mesmo é se divertir ultrapassando o colega do outro time.
Na verdade, para esses corredores, o clube é um detalhe. Em busca da qualidade de vida, tem palmeirense que nem se importa em vestir a camisa do grupo Corre Corinthians. O mesmo acontece nas equipes de pedestrianismo de Palmeiras e São Paulo. E a palavra "rivalidade" soa quase como um palavrão para as pessoas que frequentam os grandes clubes do futebol paulista para se manter em forma.
"A torcida não tem nada a ver. Não ficamos falando de futebol. É um treinamento de corrida, não é torcida organizada", explica a coordenadora do Corre Corinthians, Maria Betânia Granja. "Entre os corredores do Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro, que são os clubes que participam das provas com frequência, o ambiente é o melhor possível", concorda Roberto Arneiro, que treina no Parque Antarctica.
O grupo de corrida do Palmeiras, assim como o do São Paulo, é fechado para quem é sócio. Já o do Corinthians começou de maneira mais independente, e só há três meses virou departamento no clube, aceitando inscrições de qualquer interessado e cobrando uma mensalidade de R$ 50 para quem não é associado.
Em todas as equipes, a maior parte da administração é feita pelos próprios corredores, na base do mutirão, e os diretores também participam das atividades. Os três grupos de corrida contam com mais de 100 participantes, têm camisa própria, tenda para as competições e material de apoio como água e provisões.
"O que diferencia o Corre Corinthians dos demais grupos é o companheirismo. Todo mundo se ajuda, espera os outros na linha de chegada. As outras equipes são muito competitivas", analisa Betânia. Roberto, do Palmeiras, confirma que, nos clubes, a diversão é maior: "As pessoas estão lá por causa do lazer e da qualidade de vida. A gente corre só por amor ao esporte".
No Corinthians, os corredores treinam nos próprios caminhos entre as instalações do clube. No Palmeiras, as atividades são feitas em uma estreia pista em torno do estádio, no lado de fora do gramado. O grupo de corrida do São Paulo entrou de férias no mês de julho, aproveitando o período em que a pista do Morumbi passa por reformas.
O coordenador são-paulino José Luís Marques também confirmou que a animosidade de torcedor rival não tem nada a ver com os corredores: "Entre a gente não tem problema nenhum. Agora, como tem que utilizar a camiseta oficial, as brincadeiras acabam vindo do pessoal de fora".
A professora Carolina de Sousa, que corre no Corinthians, também acha que a maior parte das provocações vem de quem está assistindo as provas. "Mas teve uma atleta em Mongaguá que chegou a reclamar com a organização, que o pessoal do Corre Corinthians fez bagunça demais no pódio. E lógico que a gente também é vaiado às vezes", admite.
Carolina foi a única a admitir que, às vezes, a rivalidade entra sim na pista, embora sempre em clima de brincadeira: "Uma vez bateram no meu ombro antes da largada e disseram: 'E aí, Segundona?'. Depois, passei ele e mostrei a língua", lembra, orgulhosa. "Outra vez, durante a prova, ouvi alguém dizer: 'Passa essa corintiana aí!'", completou a corredora, que também faz parte da comissão organizadora do Corre Corinthians. |